Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro é uma das escolas de samba mais populares do Rio de Janeiro, atualmente sediada no bairro do Andaraí, esteve sediada no bairro da Tijuca, então originária do Morro do Salgueiro.

 

Nove vezes campeã do Grupo Especial do Carnaval é uma das escolas que compunha o grupo das "quatro grandes" ao lado de Império Serrano, Portela e Mangueira. Entre 1939 e 1975, somente estas escolas se sagraram campeãs do carnaval do Rio de Janeiro. Esta sequência foi interrompida em 1976, quando a Beija-Flor de Joãozinho Trinta, o então carnavalesco bicampeão e recém-saído do próprio Salgueiro, levou a escola de Nilópolis ao seu primeiro título.

 

Foi fundado em 5 de março de 1953 a partir da união de duas escolas de samba do Morro do Salgueiro: Azul e Branco e Depois eu Digo. A Unidos do Salgueiro , terceira escola existente naquela localidade e que tinha como representante maior o sambista Joaquim Calça Larga, não concordou com a fusão e, por esse motivo, ficou de fora. Mais tarde, desapareceu. Em seu primeiro desfile, com o enredo "Romaria à Bahia" em 1954, a Acadêmicos do Salgueiro surpreendeu o público e alcançou a terceira colocação, à frente da Portela.

(Fonte: Wikipedia)

GRES Acadêmicos do Salgueiro

"O Rei Negro no Picadeiro”

Nasci livre!
Sou filho do “Negro Malaquias”, sujeito danado de brabo, que caçava os “fujão”da fazenda do sinhô e da sinhá, que até eram “bão”; e minha mãe, Leandra, era cativa de estimação.

Um dia o circo chegou lá na Vila, eu levava broa de milho para vender na entrada; tinha uns doze anos e resolvi fugir. O picadeiro representava liberdade, sonho e fantasia. Antes que me esqueça, meu nome é Benjamim Chaves, mas meu pai me chamada de “Beijo”, “Moleque Beijo”.

Parti no Circo Sotero, Lá, a obrigação da meninada, era aprender desde cedo todas as tarefas. Mesmo eu, que era um agregado, aprendi debaixo de castigo, a cuidar dos animais, todas acrobacias e outras coisas mais…

“A mãe da arte de todos os números é o salto” e eu dei um salto na vida. Tem que aprender a cair, pra saber levantar.

Aprendi muito com o “Mestre Severino” e adotei seu sobrenome, agora pode me chamar de Benjamin de Oliveira. Mas entre sonho e realidade, vida de “beijo” é difícil, é difícil como o quê… E de tanto apanhar, fugi de novo. Meu destino era fugir, destino de negro…

Fui atrás de uma caravana de ciganos, mas “quá”, “num” é que os “ladino” queriam me trocar por cavalo?

Fui e fui pego por um fazendeiro, provei que era circense e ele me deixou seguir viagem.

E de circo em circo, substituí o palhaço principal, que estava doente, no Circo frutuoso, começando aí minha história.

A noite começava a fervilhar nas cidades grandes, eram novos tempos, teatros, café-concerto, a elite buscava o teatro sério e o “Zé Povo”, o que fosse mais ligeiro, encontrava no circo o divertimento que queriam. “Todo artista tem de ir aonde o povo está!”

Minha popularidade crescia, uma vez até o presidente, o marechal de ferro, Floriano Peixoto, por eu cantar e dançar chulas foi lá me cumprimentar.

Na Spinelli lancei a forma de teatro combinado com circo que chamariam de pavilhão. Comédias, paródias e a arte de representar por gestos, sem palavras. Fizemos clássicos, como Otello, farsas, melodramas, operetas como A Viúva Alegre, até uma paródia de O Guarani, que acabou projetado nas telas, o cinema surgia na bela época. O primeiro Momo, que seria mais tarde, a representação do “Rei na Folia”, foi pela primeira vez, representado por mim, na minha opereta fantástica O Cupido do Oriente. Assim como inúmeras peças, de minha autoria.

Fui ator, diretor, autor, produtor, dançarino, compositor, cantor (até gravei discos), e palhaço sim senhor! O PRIMEIRO PALHAÇO NEGRO DO BRASIL! E o palhaço o que é? E o que fui? Uai?! Acima de tudo: um artista brasileiro!!!

Abram as cortinas, acendam as luzes, que o show tem que continuar! Respeitável público, minhas senhoras e meus senhores, nessa passarela/picadeiro, o meu querido Salgueiro vai apresentar: Novos Benjamins do circo, teatro, cinema e televisão, com o aplauso “d´ocês”!

Despeço-me com um “Beijo” do “Moleque” e o meu muito obrigado!!!


Carnavalesco: Alex de Souza

*Texto divulgado à Imprensa

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